A frase em latim do título (“Palavras voam, a escrita permanece”) sintetiza, com absoluta precisão e coerência, as respostas àqueles que continuam céticos com relação à sobrevivência e ao crescimento da indústria gráfica ante o advento das mídias digitais.
Ambas não são concorrentes, mas meios complementares destinados a prover informação, conhecimento, educação, cultura, emoção e entretenimento.
A comunicação impressa, contudo, desfruta do consenso mundial quanto à confiança depositada nos conteúdos. Afinal, a cultura da presente civilização foi construída com tinta sobre o papel. As pessoas tendem a acreditar mais no que lêem, vêem e tateiam nos impressos.
No livro Interactivity by design –Creating & Communicating with New Media, de Ray Kristof e Amy Satran, os autores observam: “Por causa de sua idade e maturidade, o impresso tem o poder de atribuir credibilidade às informações. Qualquer conteúdo pertencente a um material impresso é rapidamente aceito como verídico. O impresso é um meio de expressão extremamente rico. Livros, revistas ou catálogos apresentam conteúdo organizado para o leitor, através simplesmente de tamanho, formato e layout”.
Defato, neste momento de grandes transformações no planeta, com produção compulsiva de conteúdos e multiplicação de mídias, incluindo a Internet, a confiabilidade no impresso confere peculiar diferencial mercadológico à indústria gráfica.
Esta, felizmente, tem conseguido responder à demanda e expectativa, com o aporte de novas tecnologias, mesclando o digital e o analógico, enriquecidas com novos acabamentos, texturas, formatos e cheiros, de modo a atender às crescentes exigências mercadológicas.
O setor parece ter cada vez mais consciência estratégica sobre a importância do serviço que presta, num processo de reconhecimento tácito ao valor de seu produto e trabalho.
Isto, porém, amplia exigências! Significa priorizar qualidade, atendimento e capacidade de oferecer soluções amplas e criativas aos clientes. Sobretudo, implica a imensa responsabilidade de quem produz informação para a posteridade!
Sim, o papel éperene, como testemunham livros muito antigos, dentre eles alguns exemplares da Bíblia remanescentes da primeira impressão feita pelo germânico Johannes Gutenberg, inventor da prensa com tipos móveis, que democratizou o acesso àl eitura em meados do Século XV.
Uma dessas obras de arte encontra-se na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, em ótimo estado de conservação.
Osimpressos também apresentam baixo custo de arquivamento, são recicláveis e têm matéria-prima renovável (no Brasil, 100% do papel destinado à indústria gráfica advêm de árvores provenientes de florestas cultivadas).
Não é sem razão que ensaísta e escritor italiano Umberto Eco, com a autoridade que lhe confere sua biblioteca de 50 mil volumes, referenda de modo enfático a frase latina sobre alongevidade da tinta sobre o papel: “Eletrônicos duram dez anos; livros, cinco séculos”.
Tal crença, aliás, lhe valeu convite do colega francês Jean-Phillippe deTonac para analisar o estimulante tema com outro irredutível e aficionado bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière. O resultado do feliz encontro foi uma interessante obra, cujo título não deixa qualquer dúvida: Não contem com o fim do livro. É ler pra crer!
Fabio Arruda Mortara
Presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional) e do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo(Sindigraf-SP).
Fonte: www.monitormercantil.com.br
Post H.P.2011
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